Segurança Biológica
BIOSAFE PLUS*
 
A Importância da Cabina de Segurança Biológica Classe II Tipo B-2 no preparo de medicamentos quimioterápicos

Por Luciano Figueiredo

Quando falamos em medicamentos quimioterápicos, estamos nos referindo a soluções citostáticas. Estas soluções inibem o crescimento ou a reprodução celular.
Quando aplicados nos pacientes em doses controladas e com um propósito definido, esses medicamentos podem trazer enormes benefícios para o tratamento do câncer. Por outro lado, quando expomos pessoas comuns a essas substâncias estamos criando um grave risco à saúde.
As normas para regulamentação do serviço de quimioterapia não são tão recentes quanto imaginamos.
No Brasil, um dos primeiros trabalhos de regulamentação deste serviço foi publicado no Diário Oficial da União no ano de 1992, sob a forma de portaria (Portaria N.° 351 de 13 de agosto de 1992). Essa portaria regulamentava, dentre outras características, a utilização de uma CAPELA DE FLUXO LAMINAR VERTICAL. Este foi um avanço considerável, porém estava muito longe da real necessidade.
As capelas de fluxo laminar vertical, de acordo com as normas internacionais, são equipamentos que apresentam fluxo de ar laminar vertical, oferecendo total proteção ao produto manipulado. No Brasil, estes equipamentos têm seu funcionamento similar a uma cabina de proteção biológica, pois, além de oferecer proteção ao produto manipulado, garante proteção ao operador e ao ambiente contra agentes biológicos de risco moderado (material particulado).
A principal diferença está na utilização de um filtro HEPA na exaustão, com isso todo o ar exaurido do equipamento passa pelo filtro HEPA, caracterizando a proteção biológica.
No caso da manipulação de agentes citostáticos, as capelas de fluxo laminar vertical têm sua eficiência muito reduzida, pois o filtro HEPA tem elevada eficiência para captação de material particulado. Na manipulação de quimioterápicos, trabalhamos com substâncias voláteis.
Muito se trabalhou de 1992 até 1998, ano em que foi publicada a portaria 3535, de 2 de setembro de 1998. Essa portaria é muito mais completa. Após anos de trabalho e aprendizado, chegamos a um resultado bastante satisfatório.
No que tange à utilização de mecanismos de proteção aos operadores e ao ambiente de trabalho, um dos itens de suma importância é a exigência de utilização de CABINAS DE SEGURANCA BIOLÓGICA CLASSE II TIPO B2.
Quando falamos em cabinas de segurança biológica, precisamos tomar muito cuidado. Um equipamento para ser classificado como de segurança biológica tem que ter seu desenho, construção, performance e instalação exatamente de acordo com a NSF 49 (National Sanitation Fundation) entidade que estabelece estas diretrizes.

No caso das cabinas de segurança biológica classe II tipo B2, temos um equipamento com 100 % de exaustão externa, mas não basta ter exaustão externa, tem que ter um sistema de exaustão independente, localizado na saída do duto de exaustão. Esse equipamento não apresenta recirculação do ar, proporcionando proteção total ao ambiente de trabalho e ao operador, além da proteção ao produto manipulado.
Algumas pessoas podem pensar que com isto estamos simplesmente deslocando o problema de dentro do laboratório para o ambiente externo, porém isto não é uma realidade.
Quando jogamos os gases resultantes da manipulação de substâncias citostáticas para a atmosfera estamos diluindo-os obtendo concentrações inofensivas.
A utilização das cabinas de segurança biológica, além de uma exigência da RDC 220 de 21/09/2004, é uma garantia para o empregador. Se ele não dispõe do equipamento adequado, pode estar sujeito a ações trabalhistas, uma vez que está colocando os operadores em situações de risco.
É muito importante salientarmos que a cabina de segurança biológica é um equipamento que envolve manipulações de alto risco. Quando temos a oportunidade de adquiri-lo, temos que nos cercar de todos os cuidados. É fundamental verificarmos se o equipamento é realmente construído de acordo com a NSF-49. A forma mais fácil de termos esta certeza é esclarecermos algumas dúvidas, como por exemplo: A exaustão é realmente externa com a caixa de exaustão localizada no final do duto? O sistema de intertravamento entre os ventiladores de insuflamento e exaustão está previsto? O sistema de exaustão está dimensionado para vencer a perda de pressão resultante de dutos lineares e curvas?
Caros colegas, lembrem-se de que os tratamentos de quimioterapia se desenvolvem para salvar vidas, não podemos de forma alguma colocar outras vidas em risco. A cabina de segurança biológica é um sistema que proporciona a segurança dos operadores e sua utilização é fundamental para o pleno êxito de nosso desafio.


Luciano Figueiredo
Supervisor de Engenharia de Aplicação e Marketing
GRUPO VECO
luciano@veco.com.br

GRUPO VECO: Publicado em 5/2/2007